16 de março de 2018

O gato Miquete

[A única fotografia que tenho do Miquete]

Acho que sempre gostei de gatos.
O meu pai nunca quis gatos em casa.
Um dia à porta apareceram 2 gatinhos. Fomos-lhe dando comida às escondidas do meu pai.
O meu pai nem à beira da porta os queria.
Um gatinho bufava, outro não. O que era mais amistoso, aos poucos foi entrando dentro de casa, quando o pai não estava.
O meu pai acho que se foi habituando a ver ali o gato.
O gato começou a entrar na cozinha. Uma caixa minúscula de papelão se lhe arranjou para ele dormir. A única que ele gostava.
Quando estava frio ficava ao colo do meu pai, em frente ao fogão de lenha.
No inverno, nos dias bem frios, deixava-se o forno aberto do fogão de lenha, para o gato dormir lá dentro.
Não tinha autorização para ir a outras partes da casa que não fosse a cozinha. Ele respeitava. Só não respeitava no Natal, em que a árvore de Natal e o presépio eram um apelo mais forte.
O nome dado ao gato foi Miquete. As minhas irmãs tinham vindo à pouco de umas férias em França e o meu primo tinha um gato com esse nome, achámos que seria um bom nome.
O Miquete depressa se transformou no meu melhor amigo.
Quando chegava a casa, vinda da escola, o Miquete estava perto da paragem de autocarro à minha espera. Seguia à minha frente, feliz, com o rabo espetado no ar.
O meu pai teve um acidente, ficou no hospital, e nós fomos para Alcobaça, para casa do meu avó. Só o meu pai conduzia. O gato tinha que ir também connosco. Mas não podia ser de autocarro. Os gatos não podiam andar de autocarro naquela altura. Foi posto num saco de pano a tiracolo. Empurrada a cabeça para baixo e lá foi o gato. Na Maiorga miou. Mas ninguém disse nada. 
Quando regressámos a casa o Miquete teve que voltar ao saco a tiracolo. Na Maiorga voltou a miar. Não sei que tinha aquele lugar, mas miava sempre ali!
Eu brincava às escondidas com o Miquete. Ele escondia-se, mas deixava sempre, sempre o rabo de fora, que abanava calmamente, pronto a atacar, quando eu passava.
Um dia ficou doente. A minha mãe falou com o veterinário da aldeia (só tratava vacas, burros e ovelhas) e lá fomos. Não garantia nada. 2 ou 3 injeções, com uma agulha quase maior que o gato, e ele curou-se. 
No entanto, a brutalidade humana, num dia de sol, em que ele dormia à porta da cozinha, provocou a sua morte. Um pontapé de alguém mau, ditou o fim do Miquete.
Chorei. Chorámos todos. 
💓

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